PERSONAGENS: Mãe; Laura e Dirce (irmãs); Júlio (irmão); Moacir (amigo de Júlio). CENÁRIO: Uma sala bem arrumadinha.
ÉPOCA: Atual.
1º ATO
(Dois amigos, Júlio e Moacir, se despedem, prometendo encontrar-se mais tarde. Essa des-pedida pode ser feita na porta da casa, ou na rua).
Júlio – Está bem Moacir, eu te espero às 8 hs. Não vá se atrasar, que a noite é curta.
Moacir – Eu me atrasar? Sou o cara mais pontual do mundo; e hoje então muito mais, te-mos que aproveitar a festa do Durval desde o começo. Vai ser uma bela farra. Até mais tarde.
Júlio – Até logo mais !- (entra na sala, movimenta-se de uma lado para outro, pega um li-vro que está em cima da mesa e fica pensativo. Larga o livro e começa a despejar o seu mau humor). Não sei como vou me descartar dessa. Hoje temos o tal Culto de nata – a mamãe vai querer que eu vá com ela e as meninas; ela que me desculpe, mas hoje eu não vou. Já prometi ao Moacir sair com ele. E depois aquela festa deve estar uma coisa de louco. (Júlio ouve passos e fica inquieto).
Mãe – (Entrando na sala). Até que enfim você chegou, eu estava ficando preocupada com a sua demora; nós já estamos prontas para o Culto. Vá se trocar ligeiro que nós esperamos por você, vá.
Júlio – (Meio embaraçado). Mamãe, eu não vou à Igreja com você hoje. Fiz outros planos para esta noite. Vou sair com meu amigo Moacir.
Mãe – (Espantada). Mas Júlio, hoje é véspera de Natal, você esqueceu disso? Mesmo de-pois que seu pai faleceu, nós nunca deixamos de ir aos cultos de Natal.
Júlio – Eu sei mamãe, e é isso mesmo. Eu sempre fui, mas este ano não quero ir. Já sei de cor o que o pastor vai falar, e a história do nascimento de Jesus não mudou? Ou mudou? (As irmãs Laura e Dirce entram na sala).
Laura – Vamos mamãe? (Olha para o irmão) Você ainda não está pronto Júlio?
Dirce – Desse jeito nós vamos chegar atrasados no Culto!
Mãe – Estamos tendo um probleminha.
Dirce – Um probleminha? Que probleminha mamãe?
Mãe – Júlio não quer ir ao Culto conosco; diz que está saturado de ouvir sempre a mesma história.
Laura – Que bicho te mordeu? De uns tempos para cá você anda muito desinteressado das coisas da Igreja. Quase não vai ao Culto, acha as reuniões da Juventude Evangélica cha-tas, as prédicas quadradas e em tudo você põe defeito.
Júlio – É isso mesmo.
Dirce – Sabe desde quando isto está acontecendo? Desde que ele se tornou amigo íntimo do tal de Moacir.
Mãe – Não faça juízo precipitado.
Júlio – É isso mesmo; e deixa de meter o meu amigo nessa história. Eu não vou porque não quero ir, e está acabado.
Mãe – Júlio, não quero culpar ninguém, mas se você está sendo influenciado por esse seu amigo, não está certo. Você é que deveria usar sua influência cristã. É por isso que nós os crentes somos chamado de “sal da terra e luz do mundo”.
Júlio – Você já disse tudo que tinha para dizer, mamãe? Então vá, porque se não perderá a hora do Culto. (Sai da sala).
Laura – (Nervosa com a atitude do irmão) Júlio você…
Mãe – (Interrompendo) Não diga mais nada, Laura. Não vai adiantar discutir. Não vamos estragar o nosso Culto de Natal, envenenando o nosso espírito com palavras raivosas. Dirce – Mas mãe, ele está se afastando de Deus. De uns tempos para cá, Júlio não se interessa por mais nada. Todos na Igreja estão estranhando a atitude dele.
Mãe – Eu sei disso minha filha; você pensa que eu também não tenho notado? Estou orando muito pelo seu irmão, e espero que vocês façam o mesmo. Apesar da minha tristeza, eu confio nas palavras do Senhor que diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e nunca se desviará dele”. E se Deus prometeu, Ele cumprirá. Vamos ao Culto e oremos por ele. (saem).
II ATO
Moacir – (bate na porta e Júlio aparece)
Júlio – (olhando o relógio) Já são 8 hs?
Moacir – Não te disse? Eu sou pontual. (Olha para o amigo) Que cara é essa? Nós vamos a uma festa ou a um enterro?
Júlio – Estou chateado; tive uma discussão com minha mãe e ela saiu aborrecida comigo. Moacir – Isso passa; eu discuto sempre com a minha. Nós não nos entendemos. Aliás nin-guém se entende lá em casa.
Júlio – Mas eu nunca discuti com ela. E o pior é que eu não estou certo se tenho razão ou não.
Moacir – Mas afinal, por que é que vocês discutiram? Quero dizer. Se é que você pode contar.
Júlio – Claro que posso; não é nenhum segredo. Foi por causa do Culto do Natal. Moacir – Culto de Natal? Que vem a ser isto? Já vi gente discutir por muitas coisas na vida, mas por causa de Culto de Natal, não!
Júlio – Bem, vamos sair e pelo caminho eu te conto tudo. Talvez você possa me ajudar a achar uma desculpa para a minha atitude. Espere que eu vou buscar o blusão. (Apanha o blusão e saem).
III ATO
(Mãe e filhas voltam do Culto).
Dirce – Como estava lindo o Culto.
Laura – E o solo do Mário; quase me fez chorar.
Dirce – Foi o solo ou foram as olhadelas dele?
Laura – Deixa de ser sem graça!
Mãe – (Entrando na sala). Vamos arrumar a mesa para a ceia. Laura vá buscar a toalha e você, Dirce, ligue o forno para esquentar o assado (as moças saem). Estava tudo tão lindo! Só faltava meu filho! Deus meu, traga-o de volta, não permita que o mundo o envolva. (Esconde a mãos, como se estivesse chorando).
Júlio – (Entrando com o amigo). Mamãe, este é o meu amigo Moacir. Ele estava desejoso conhecê-la.
Mãe – Muito prazer em conhecê-lo. Esteja à vontade.
Moacir – O prazer é todo meu.
Irmãs – (Laura e Dirce entram na sala com a toalha e os pratos).
Júlio – Estas são as minhas irmãs Laura e Dirce.
Moacir – Muito prazer em senhoritas. (Cumprimentam-se).
Mãe – Vieram cedo da festa, o que foi que aconteceu?
Júlio – Nós não fomos à festa!
Mãe – Não?! …
Júlio – Primeiro quero pedir desculpas pela minha atitude de hoje à tarde.
Mãe – Está desculpado, meu filho.
Moacir – Ele estava encucado todo o tempo por causa disso.
Mãe – Encucado?
Moacir – É, quero dizer, aborrecido (todos riem).
Laura – Mamãe também ficou muito triste.
Mãe – Bem, agora já passou; mas você ainda não me contou por que não foram à festa. Júlio – Bem, quando o Moacir veio me buscar, notou que eu estava um pouco aborrecido. Não era muito adequado para quem vai em uma festa. Quis saber o motivo, e eu contei tudo.
Dirce – Tudo?
Dirce – Tudo?
Júlio – Sim, tudo. Desde quando comecei a não gostar mais de ir à Igreja e freqüentar os trabalhos da Juventude Evangélica.
Moacir – Quando ele terminou, quem ficou admirado fui eu. Ter um convívio com pessoas de espírito sadio, conhecer as maravilhas a respeito de Deus, ter fé num salvador pessoal, é como viver em um outro mundo. Eu, e os nossos amigos aí fora, somos tão confusos e mal ori-entados em matéria de religião!…
Júlio – E quanto mais eu falava da vida cristã, das suas alegrias e certezas, mais eu me apercebia o grande tolo que eu estava sendo. Eu nunca poderia viver fora da minha Igreja. E sabe o que mais? Falei de Jesus e da sua história maravilhosa.
Mãe – Daquela história sem novidades, e sempre igual?
Júlio – Dessa mesma, mamãe! Mas o que me afligia, foram as suas palavras: Nós somo o sal da terra e a luz do mundo.
Mãe – (abraçando o filho). Meu querido, eu tinha certeza de que Deus não abandonaria a sua ovelhinha.
Moacir – Esta noite para mim vai ficar marcada. Foi a primeira vez que eu ouvi falar de Je-sus como Salvador. Eu o conhecia somente como um símbolo de Natal.
Júlio – Agora você está sabendo por que nós não fomos à festa. Ficamos conversando a respeito de Cristo, e quando mais eu falava, mais o Moacir queria saber. As horas foram pas-sando e o interesse pela festa também. Vai daí, eu o convidei para participar da nossa ceia.
Mãe – Fez muito bem, meu filho. Há assado para todos. Moacir, não me leva a mal, mas e seus pais?
Moacir – A senhora deve estar estranhando em plena noite de Natal, eu aqui em casa de amigos, quando na verdade deveria estar com meus pais.
Mãe – (Um pouco embaraçada) É, na verdade eu fiquei um pouco… quero dizer… Moacir – Não, não se acanhe. A verdade é que meus pais não se interessam pela vida reli-giosa. Um noite como a de hoje, é para ser festejada com muita comida e bebida. Eles foram para a casa de uns amigos, e a minha irmã para a casa do noivo, eu, bem eu a senhora já sabe!
Mãe – Pois, sejam bem vindos ao nosso lar.
Júlio – Mamãe, eu só estou triste por ter perdido o Culto de hoje, que deve ter sido muito lindo!
Mãe – Vou dizer a vocês outras palavras que também são de grande importância. O apóstolo Paulo disse: “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”. Você não foi ao Culto, mas Deus o usou para falar dele e de seu Filho ao seu amigo. Assim você ganhou mais uma alma para Cristo. Isso sem contar que você compreendeu a verdadeira finalidade do Natal. De depois haverá muitos natais e você terá oportunidade de contar sempre a mesma história.
Laura – A mesa está pronta; vamos dar graças por mais um Natal!
Canto: Deus concede alegria.
FIM
PalavradeDeus.com
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